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“Estamos abandonados”, dizem moradores do Cânyon, na zona norte de Caxias


A falta de intervenção pública em reparos de algumas ruas no Cânyon, na zona norte de Caxias do Sul, vem acarretando uma série de problemas para a população que habita aquela área da zona norte da cidade. As reclamações são corriqueiras e chegam a todo momento.

Os moradores, indignados com a situação, chegam a dizer que “a prefeitura os abandonou”. Muitos, como é o caso de Vandoir da Silveira, precisam deixar o veículo distante de casa, pois não consegue mais trafegar na via.

“Aqui a prefeitura abandonou nós. Disseram que não vão colocar máquinas, não vão botar cascalho, não vão ajudar nosso povo do bairro. As nossas ruas estão esburacadas, é lixo nos cantos, esgoto a céu aberto… O prefeito vem e diz que investiu aqui. Investiu o que? Nós saímos de casa, vamos caminhar na rua e os pés atolam de barro. O prefeito deveria dar uma assistência pra nós, pois estamos abandonados. Tá bem difícil a nossa situação no Cânyon”, salienta.

Silveira reside há cerca de três anos no loteamento. Já Osmair Mendes da Silva, vice-presidente do bairro e que mora a mais de 20 anos no local, reforça o discurso. Na visão dele, o município deveria regularizar a área e ajudar a população.

“É uma pouca de uma vergonha isso aqui. A gente sai nas ruas e é uma buraqueira. O prefeito abandonou nós aqui. Estamos abandonados. Eles (prefeitura) dizem que é uma área invadida. Não tem nada invadido aqui. Cada um comprou seu lote. Regulariza os terrenos então e façam as coisas. Nas outras administrações as ruas eram patroladas. Agora não tem mais nada. A gente sai na rua e é barro em todo lugar”, complementa.

O presidente do bairro, o senhor Marciano Corrêa da Silva, é duro nas críticas. O líder comunitário pede para que a administração municipal mostre onde foram feitas melhorias para os moradores do Cânyon.

“Eu quero que o prefeito me apresente onde ele fez as vinte melhorias para o Cânyon. Quero que ele seja homem e me mostre onde elas estão. Fizeram um documento, que está em mãos, que não vão fazer nada porque é área invadida. Então, não adianta me criticarem e cobrarem, é o poder público que não quer fazer nada na zona norte”, diz.

Resposta

O município, através da assessoria de imprensa, informa que, de acordo com a Secretaria de Urbanismo, a área do Cânyon ainda não está regularizada e, por conta disso, a prefeitura não pode fazer intervenções no local. Ainda conforme a administração, a região foi alterada de institucional para habitacional pela lei 5040/98, para fins de regularização, mas nada aconteceu. A nova gestão está trabalhando pela regularização da área para que a comunidade possa receber o atendimento de forma legal.

Corretivo

Os problemas enfrentados pelos moradores do Cânyon voltaram a ficar em evidência após um áudio vazado em que o vereador e chefe do Executivo na Câmara, Chico Guerra (PRB), fala em aplicar um “corretivo” no líder comunitário Marciano Côrrea da Silva, presidente da Associação de Moradores. O fato foi apresentado em sessão no dia 6 de junho.

Dois dias depois

Logo após a divulgação do áudio, o vereador Chico Guerra apresentou um vídeo em que no qual mostra o presidente da Associação de Moradores do bairro Cânyon ameaçando Chico Guerra e o vereador Renato Nunes (PR).

A gravação é de 22 de novembro do ano passado e ocorreu durante uma sessão da Câmara de Vereadores. “E você, Chico, eu quero que você e teu companheiro cabeludo ali…quero que vão no Vila Ipê fazer campanha. Eu quero erguer vocês na “adaga” lá, quero erguer vocês no “pranchaço”, fala Marciano no vídeo.

Confira aqui -> https://leouve.com.br/vereador-chico-guerra-apresenta-video-em-que-e-ameacado-por-lider-comunitario/

Prefeito nega retaliação

De acordo com a nota emitida por Daniel Guerra, as ações da prefeitura são pautadas pela transparência. “Nessa administração, não há e nunca houve retaliação a qualquer comunidade do município. Todo cidadão faz as suas solicitações de forma igualitária, seguindo a diretriz de governo de trabalhar de forma direta, sem intermediários”, afirma. Ainda de acordo com a nota, “a prova disso é que, desde o início da atual gestão, em janeiro de 2017, até esta quarta-feira, foram recebidas 27.941 solicitações via Alô, Caxias. Desse total, mais de 75% (21.419) já foram atendidas e o restante está tramitando normalmente”.

No caso específico dos moradores do Loteamento Cânyon, foram 97 registros via Alô, Caxias desde o início da atual administração, sendo que 81 já foram atendidos e os outros 16 estão na fila normal para receberem o devido encaminhamento. Ou seja, mais de 80% das demandas já foram atendidas, garante o governo municipal.

Defesa

Na última semana, o vereador Chico Guerra entregou à subcomissão de ética da Câmara de Vereadores, sua defesa por escrito sobre todo o imbróglio. A análise será feita nos próximos dias.

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